segunda-feira, 16 de outubro de 2017

52º Episódio - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 52 - Entretanto o tempo foi passando. O Virgolino, lá se foi portando razoavelmente já não bebia, continuando a dar assistência à senhora Maria e ajudando o seu marido (Abílio) na descarga dos barris de vinho. Quando ele não tinha trabalho na taberna, continuava a ir às pinhocas. ( entretanto na farmácia tudo corria normalmente. O Sr. Armando, não escondia a sua satisfação por ter dado a mão ao Zé que, a olhos vistos ia fazendo progresso, sempre cuidadoso e atento ao movimento na farmácia. - Um dia o senhor Armando fez-lhe uma pergunta.- Então Zé, já tens alguma pequena debaixo de olho? - Já sim senhor Armando. Este emprego que o senhor me ofereceu, foi um milagre; Deus lhe dê muita saúde e a todos seus… sabe que o mar umas vezes dá e noutras tira; e confesso, também não gostava muito da vida do mar. Antes de vir trabalhar para a farmácia, já tinha pedido ao mestre Miguel, (não sei se o senhor conhece) um lugarzinho na empresa dele mas só podia entrar em Janeiro. - Olha, é bom homem eu conheço muito bem esse senhor. - É sim senhor. Mas eu tive o cuidado de lhe comunicar que tinha conseguido trabalho em terra; ele até me aconselhou para ter juízo, e segurar o emprego sempre era muito melhor que enfrentar o mar. Agora, segundo um informação ele vai aceitar o meu pai. - Óptimo Zé, óptimo. O teu pai tem andado a fazer uns biscates à senhora da taberna, é bom para ele se habituar a trabalhar; foi coisa que ele nunca gostou… Ele ainda vai a tempo. Tu és diferente, saíste à tua mãe ainda bem! - Bom, voltamos ao início da conversa. Quem é então a rapariga escolhida? - À … Não sei se o senhor Armando conhece, ela chama-se Rosa, a mãe dela já faleceu, e o pai é mais conhecido pelo nome de Encharrôco. - Pois conheço muito bem rapaz, ela já tem vindo aqui à farmácia. Ò zé… tu tens olho, a rapariga é muito engraçada; olha, trás sempre o pai muito bem arranjado… o homem nunca casou, para não dar uma madrasta à sua filha, é curioso! Eu estou muito contente senhor Armando, gosto muito dela. Eu até queria casar para o ano, mas não estou preparado para isso, é preciso algum dinheiro e nós não o temos. - Pensa muito bem, mas deixa lá pode ser que a tua vida dê uma volta… Até veio à memória uma solução para te ajudar! Fim do 52º Episódio M. Francelina e José Balau. no-temp-dos-barretesblogpot.com

sábado, 14 de outubro de 2017

51º Episódio Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio 51º Nazaré. Velhos Lobos do Mar Aparece. Vais ver que cai bem à minha mãe. Bom agora já confias em mim? - Confio sim. Sabes, eu tenho vergonha de ir a tua casa com a tua ausência! - Não tenhas, a minha mãe é uma pessoa compreensiva, vai lá que ela gosta muito de ti… Ainda te digo mais, a minha maior alegria era que tu fosses a filha que ela nunca teve… e para ti ela ser a mãe que já não tens. Vais ver mais tarde, quando estiveres longe dela, vão sentir saudades uma da outra. Olha, eu hoje não estou de serviço, tinha que ir tratar agora de um assunto particular, mas queres que vá a casa apresentar-te à minha mãe? - A’tão se podes ir, estou mais à vontade. Mas eu não me posso demorar Zé, ainda não tenho o almoço em ação… Tabem faço depressa, é carapaus seques com batatas e cebola. - É muito bom quem os apanhasse agora. Bem, vamos lá então à minha mãe. - Vamos, mas é vesita é de médeque óviste! - Está bem Rosinha, já compreendi que tens que fazer o almoço. - E lá foram- O Zé abriu a porta e disse: Mãe, trago aqui uma surpresa! - ‘Ma surpresa filhe! - Hoje trago-lhe uma Rosa. - Uma rosa. Olha ‘tá em cima da mesa uma jarrinha, mete dentro com água. - Não pode ser mãe, esta Rosa é de carne e osso! - Ah! Entra miga, olha na’repares p’ra esta desarrumação do quarte; aquase há dois meses que na’posse mexer ‘ma palha… Anda aqui ó pé de mim cara linda… Vocêses tem que ter muite juizinhe!... O amor é muito linde, e sem ele a vida na’faz sentide. Olha miga, ‘tou muite contente de me vires visitar. Obrigadinha. - Mãe, a rapariga está um pouco envergonhada, mas ela virá mais vezes visitá-la, agora está com pressa porque tem que ir fazer o almoço. - Pois filha vai lá, o tê’pai se na’fores tu na’tem ninguém; tu és a maior riqueza dele. Ele merece, é bom homem… Na’le dês desgostes filha! Assim que o Zé tenha a vida dele com’deve ser, vocês casam-se logue. Quero-te dar um conselho: na’contes a tua vida a ninguém, c’uma amiga tem amigas” outra amiga, amigas tem. - Vês Rosa, eu não te disse que a minha mãe é compreensiva e boa conselheira! - Tens rezão. Eu agora já estou mais à vontade. Quande eu tiver um tempinhe já vanhe visitá-la. Agora tanhe que ir imbora. Estime as suas melhoras, até amanha se Deus quiser. - Até amanhã Rosa . -Entretanto o tempo foi passando. O Virgolino lá se foi portando razoavelmente, não bebia continuando a dar assistência à senhora Maria e ajudando o seu marido (Abílio) na descarga dos barris de vinho. Quando ele não tinha trabalho na taberna, continuava ir aos pinhocas ao pinhal. Fim do 51º Episódio M. Francelina e José Balau. No-temp-dos-barretesblogpot.com

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

50º Episódio - Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 50º - Nazaré. Velhos Lobos do Mar - À é!...Ainda bem Rosa… é melhor dizerem bem do que mal, isso é que estava mais preocupado! Eu tenho que merecer confiança das pessoas que confiam em mim…Quando eu saio do trabalho regresso a casa e tenho que dar apoio à minha mãe, ela tem estado adoentada. A minha tia, lá nos tem ajudado, nas coisas que eu não posso fazer, mas mesmo assim não tem sido fácil! - Olha não sabia . Agora tenho que ir andando, desejo as melhoras da tua mãe… Foi bom ter - te encontrado, já tinha saudades tuas. - Tinhas! ‘Tô mesmo a ver que tinhas! Olha Rosinha, eu tenho que estar muito concentrado no meu trabalho; e se eu ficar efetivo, a gente pode começar a pensar no casamento. Eu não te jurei que caso contigo? - Prometes! - Ó rosa, eu sou um homem de palavra! Tu tens que confiar em mim, temos que dar tempo ao tempo, nós não vamos viver do ar. Quando casarmos temos que pagar a renda da casa, não falando do resto coisas que vamos todos os dias precisar, entendes agora! Uma coisa que devemos levar em atenção, os nossos pais pouco ou nada nos podem ajudar… É ou não é!? - Tens rezão. Mas desde c’aconteceu o nosso caso, nunca mais fiquei descansada. O Mê’ pai na’sabe de nada nem desabafei com ninguém. - Fizeste bem, fizeste bem. A minha mãe sabe, até ficou preocupada por ela não ter condições para me casar. - Pois é. Tu ainda tens mãe, mas eu desde os dez anes que na’tanhe esse desabafe. - Podes ficar descansada, quando a vida permitir o casamento há - de realizar-se. - Ah!... Se tu soubesses o qu’eu tanhe choráde à chucha calada, tinhas mais pena de mim! - Lá vens tu com coisas… Rosa, eu agora estou na Farmácia, se tu quiseres ir a minha casa e perguntar à minha mãe se ela precisa de alguma coisa, ninguém te morde, porque eu não estou lá; e o meu pai agora, tem ido aos recados à senhora Maria da Chupeta, até o mar estar em condições de lá ir alguém. Aparece. Vais ver que cai bem à minha mãe. Bom agora já confias em mim? Fim 50º Episódio M. Francelina e José Balau Veja: - no-temp-dos-barretesblogpot.com

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Episódio Nº 49 - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 49º - Nazaré. Velhos lobos do Mar

- Ti’Jôquim – Tans rezão, mas deixa lá passar mais uns temp’es pa’ver a reação dele…às vezes pode ser fogu’e de vista… Mas agora digo-te outra coisa, O Virgolin’e quando era mais novo, era um grande camarada! Vam’es esperar mais uns temp’es pa’ver !

-Entretanto as pessoas amigas do Zé, ficaram admirados com a mudança que ele teve no seu trabalho. O serviço da Farmácia, era mais confortável do que andar na vida do mar. As jovens raparigas mais conhecidas ficaram surpreendidas; algumas até diziam que ele devia ter grande padrinho, para conseguir um trabalho em terra. Mas numa manhã de Domingo a Rosa encontrou o Zé seu namorado.

-Bom dia Zé. Agora nem te ponho a vista em cima, trabalhas assim tanto!
- Olá Rosa. Sabes que agora tenho outro encargo mais responsável… Mas não penses que ando a fugir de ti; podes sempre confiar em mim!
- Não sei… até tens outras pessoas a dar-te elogios… É o que oiço d’ezer p’raí: atendes muito bem os clientes e que tens bons mod’es!
- Rosa, é a minha obrigação, o serviço na Farmácia não é a mesma coisa que andar alar uma rede! Eu espero que compreendas a minha vida
- Eu entend’e, não havera de entender, não sou parva n’inhuma!...  Nas tu é parece que esqueceste a nossa situação!
- Não esqueci nada… Olha. A minha mãe esteve doente de cama, e o meu pai arranjou uma série de problemas, que eu tenho andado a tratar de vários assuntos muito delicados… Mas não vais agora criar uma série de ciúmes por não nos encontrarmos como dantes… Eu continue a gostar de ti Rosa!
- Na’sei… é tanta gente a dezer-me que ‘tás muite linde e que atendes muito bem as pessoas!
- À é!...Ainda bem Rosa… é melhor dizerem bem do que mal, isso é que estava mais preocupado!


Fim do 49º Episódio
M. Francelina e José Balau
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Episódio Nº 48 - Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 48 – Nazaré. Velhos Lobos do Mar

- Obrigado senhor Armando, por me ter dado esta oportunidade. Eu vou fazer tudo p’lo melhor, vai ver!
- Assim espero rapaz. Ouve cá, como está a tua mãe?
- Ela sente-se um pouco melhor.
- E o teu pai como está?
- O meu pai, está um pouco diferente do que era, vamos ver se é desta que ganha juízo!
- Espero bem que sim. Pronto, agora já  estás orientado vai lá à tua vida. Olha, diz lá à tua mãe que eu desejo as suas melhoras
- Obrigado senhor Armando, obrigado.
- Um mês depois. O Zé andava muito contente com o emprego. O pai, Virgolino lá se ia governando com a apanha dos pinhocos. A Virgínia também já andava na sua lida sem dificuldade.
Aproximava-se o Natal. Os barcos lá iam saindo para o mar sem dificuldade, mas as pescas não eram famosas.
Num certo dia na praia, um grupo de pescadores dialogavam entre si entretendo assim o tempo. A certa altura o António disse: - Vocês na sabem nada do Virgoline?!
Olhem quele ‘tá muite mudade; até deixou de entrar na taberna!
- Ti’Joaquim disse : - S’isse é verdade, nunca na vida dele fez ‘ma coisa tão bem feita… parece qu’ele agora anda apanhar pinhocos para vender! Foi ‘ma grande mudança na vida dele!
- É verdade Ti’Jôquim… Ninguém dava já nada por ele… Mas dizem por aí, qu’ele quer voltar para o mar, já se está aborrecer do pinhal !
- Olha à Tonhe, se ele ‘tá assim mudade, na’me importava nada de lhe dar um lugar na minha empresa… Já começo a ter pena da vida dele!
- Oiça cá Ti’Jôquim, você quer qu’eu lhe diga olguma coisa?
Pa’Janêre vai haver novas matriculas e  mais  um homem na nossa companhia dava muite jeite… na’semes muites e a idade  já nos pesa um bocade!
- Ti’Jôquim – Tans rezão, mas deixa lá passar mais uns temp’es pa’ver a reação dele…às vezes pode ser fogue de vista… Mas agora digo-te outra coisa, O Virgoline quando era mais novo, era um grande camarada! Vames esperar mais uns tempes!

Fim do 48º Episódio

M. Francelina e José Balau
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sábado, 2 de setembro de 2017

Episódio Nº47º Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Nazaré – Velhos Lobos do Mar
Episódio Nº 47
Foi assim, acreditem ó não: - Ela perguntou-me s’eu queria ir ós pinhoques, e se eu trouxésse  um cento, não perdia nada com isse. A senhora Maria emprestou-me um saco e lá fui eu. Ela disse que eu fui num instante, amanhã vou ó’tra vez. Eu disse a ela que agora só bebia às refê’ções, mas ela pôs à mesma uma garrafinha de vinhe.
- Olha pai: Diz-me uma coisa, não te sentes agora mais feliz?
- ‘Tou mais contente ‘tou. Vocês vão ver ca’nossa vida vai agora melhorar… Hoje já foi o começo! À filhe o pai ‘tá muite arrependido de perder naquele dia a cabeça e fazer o que fiz, mas a tu’mãe tem muita rezão de falar contra mim, eu na’tanhe side um bom pai… mas podem acraditar eu agora vou mudar…vou-me entretendo c’os pinhocos e depois logue se vê!
- Deus te oiça homem, Deus te oiça…Tu ´tans o remede na mão, se daqui em diante fizeres boa figura, as pessoas vão ter outra opinião sobre ti. Quem sabe, se ainda consegues um lugar numa boa empresa!?
- Estás ouvir a mãe pai ! Bom, eu tenho que ir à minha vida.
Oiça cá mãe, eu estou a pensar em dar uma resposta ao senhor Armando; resolvi aceitar o emprego na farmácia que me diz você.
- À filhe se queres a minha opinião, acho que deves aceitar, mas tu é que sabes o que  fazer. Por mim ‘tá descansade vou ‘tar sempre do teu lade!
- Então está bem, amanhã vou falar com o senhor Armando.
- No dia seguinte o Zé foi dar a resposta -
- Bom dia senhor Armando.
- Bom dia Zé então que notícia me trazes!
- Vinha dizer-lhe que resolvi aceitar o emprego na sua Farmácia.
- O senhor Armando ficou muito contente com a decisão do jovem. Agora faltava preparar o mais necessário para o Zé começar a trabalhar -
- Olha Zé, não precisas de comprar nada por agora. Eu tenho uma batas guardadas que te servem muito bem, e se quiseres podes começar em Novembro no teu primeiro emprego. Vais aprender a arrumar os medicamentos e outras coisas que o futuro te irá ensinar a entrar no trabalho.
- Obrigado senhor Armando por me ter dado esta oportunidade. Eu vou fazer tudo pelo melhor, vai ver!
Fim do 47º Episódio
M. Francelina e José Balau.
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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Episódio Nº 46 - Nazaré. O Filho do Pescador

Episódio Nº 46 – Nazaré. Velhos Lobos do Mar
- Olhe senhora Maria, e na’me dá ‘ma garrafinha de vinhe? É queu agora só bebe às refê’ções. O senhor Guarda puribiu-me, e a ‘nha Ve’gina, seu beber ta’mãe na’me dê'xa entrar em casa.
- Sim senhor muito bem. Olha, vai lá e vem, que na perdes nada com isso!
- Virgolino lá foi à nova vida. Mais tarde o saco já estava cheio de pinhocas e pinhas, nem chegou a conta – los, sem saber se tinha mais ou menos conforme tinha combinado, com a sua benfeitora. Vinha feliz pelo caminho com o saco cheio.
Quando chegou à taberna a senhora Maria disse -lhe:- Olha o Virgolino…foste num instante!  Agora resta-me pagar o teu trabalho: Tenho aqui  umas batatas, cebolas, açúcar, arroz, massa  um pouco de azeite e uma garrafinha de vinho, é a paga do teu trabalho. Não bebas sem comer, tem juízo contigo! Tens uma mulher e um rico filho, agora não os envergonhes. Olha, toma lá este pão, é d’ontem não se pode estragar nada; não te esqueças de me trazeres a saca.
-‘Teja descansa’dinha  qu’eu vanhe trazê-la ainda hoje.
- Ah! Olha leva o feijãozinho que já ficava aqui em cima do balcão.
- Obrigadinhe. A ‘nha Ve’gina vai ficar toda contente.
- Virgolino dirigiu-se a sua casa já perto da hora do almoço, mas pouco ou nada havia para comer. Quando o filho abriu a porta, verificou que o seu pai estava com outra disposição; cheio de curiosidade perguntou-lhe: - Está muito contente, o que se passa pai? Mas o que é isso que traz nesse saco!...Olha fui  dar uma volta por aí à procura de trabalhe e a menina Maria Chupeta perguntou-me o qu’é andava a fazer!
- ( Vergina curiosa) -Eu logue vi… Tinha que ser na taberna!
- Deixe o pai falar mãe, ele não bebeu nada… Vá conte lá pai o resto da visita à taberna.
- Foi assim, acreditem ó não: - Ela perguntou-me s’eu queria ir ós pinhoques, e se eu trouxésse um cento, não perdia nada com isse. A senhora Maria emprestou-me um saco e lá fui eu.

Fim do 46º Episódio
 M. Francelina e J. Balau.
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