quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Episódio Nº 64º Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 64 - Nazaré. Velhos Lobos do Mar Quando fizerem contas, mete-te logue na taberna… Já te lembras-te que o casamente da tu’filha ‘táí à porta! Daqui em diante, quere muite juíze nessa cabeça ‘tá óvir Virgoline! - Vinha tão bem disposto, já´tás a falar na porra do vinhe…Arre chiça Vergina! - O que me faz falar, é porque eu já’tou escaldada! - Já ‘tou farte dessa conversa, e ficas já avisada, eu na’quere ‘ovir falar aqui mais em vinhe! - À homem eu se fale é pa’teu bem; mas tá descansade, a nha boca daqui em diante vai ser um poço! - Vames agora falar de coisas de mais sérias, tens que ver a nha roupa do mar, se ela ‘tá em condições, podemes ter ordens já amanhã. - T’a bem homem, Deus queira que vanha peixe pá’borda, ai ai, vinha agora em tão boa altura! - Olha, na’ta´demires, inda ontem a rede do Jôquim Foguete, deu sinal de carapau. - No dia seguinte o mar estava calmo. O Virgolino era avisado pelo chamador da empresa do Ti’Miguel, para preparar as artes e lançá-las ao mar. Mais tarde chegou a hora da alagem, os pescadores puxavam a rede entusiasmados. As mulheres mais silenciosas, lá iam com sacrifício chegar até ao fim da alagem. Rosa pela primeira vez também estava presente. Pouco depois alguém alertou a companha com um grito. É gentinha, ala arriba, já vejo peixe na frente… Força rapazes ai Senhor dos Passos a rede ‘tá cheia de carapau… Eia… nunca vi tante peixe, o saque ainda s’arromba… puxa arriba, ganhem coragem pa’puchar o saco fora da maré! Prontes, já na’há perigo Graças a Deus e ao Santíssimo Sacramento. - Na verdade a rede estava cheia de peixe, os olhares admirados como esfomeados, quase não acreditavam no estavam a ver. As mulheres erguiam os braços em louvor a Deus pela recompensa. Os homens, esses enchiam os Xalavares de carapau para serem transportados para a lota. Mais tarde a companha muito fatigada, regressou a casa muito contente. - Entretanto em casa do Virgolino. - Já viste Vergina, ò tempe qu’eu na’via tante peixe na rede… É verdade, a Rosa até teve sorte, pa’primeira vez que foi ajudar a alar a rede, na’foi mal estriada… Afinal quanto é que vocês ganharam? Fim do 64º Episódio M. Francelina e José Balau. no-temp-dos-barretesblogpot.com

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Episódio Nº 63 - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 63ª – Nazaré. Velhos Lobos do Mar Tudo o que os meus pais e os meus tios me deixaram tu vai herdar tudo, eu já tratei do testamento ; agora só desejo que tenhas sorte, com o marido que Deus te destinar. Olha quando começares a namorar, eu gostava que me o apresentasses. Sabes, o diabo não sabe por saber, é por ser velho; e tu tens que ter os olhos bem abertos. Eu quero que, quem case contigo, seja pelo que tu és e não pelo que tens. Entendes o que eu te digo Lurdes! - Entendo sim. Mas enquanto a tia for viva, é tudo seu. - E será. Até eu ver que estás bem segura. Deves ser a pessoa mais inteligente e esperta que eu conheço. Mede e analisa tudo para que nada seja feita no ar. - Vamos lá ver se eu arranjo noivo antes da madrinha se finar, para ver o seu e meu gosto realizado! - Não sei filha… Há dias que me sinto bem, mas outros nem por isso. - Entretanto alguns dias depois. O Zé e a Rosa andavam preocupados com a preparação do casamento. O Virgolino recebeu uma boa notícia, foi chamado pelo mestre Miguel, para se matricular na sua empresa. Pouco depois os pescadores saíam da Capitania na companhia do mestre Miguel, depois desta obrigação tinham a garantia, que no futuro eles tinham trabalho garantido. O Vitorino, chegou a casa muito contente. - Vergina à Vergina onde ‘tás tu? - ‘Tou aqui no quarto a compor a cama. Que é isse… vens muito satisfête! - Olha já fui matricular na empresa do Miguel! - Olha, agora na’ganhes juízo contigo… Quando fizerem contas, mete-te logue na taberna… Já te lembras-te que o casamente da tu’filha ‘táí à porta! Daqui em diante quere muite juíze nessa cabeça ‘tá óvir Virguline! Fim do 63º Episódio M. Francelina e José Balau. no-temp-dos-barretesblogpot.com

domingo, 21 de janeiro de 2018

Episódio Nº 62 º Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Fim do 62º - Episódio. Nazaré. Velhos Lobos do Mar. - Assim aconteceu e tudo começou a correr bem. A tia da Lurdes ficou muito contente, de a Rosa se ter lembrado, de convidar a sobrinha para ser a madrinha do casamento. - Olha filha, eu quero que vás ser madrinha e que te apresentes muito bonita. Vais oferecer o vestido à Rosa e mais alguma coisa que lhe queiras dar, a despesa fica por minha conta. Tenho muito orgulho nisso! - Mas tia, eu tenho que saber como ela vai vestida, que tipo de roupa! - Está bem. Então apressa-te a saber isso. Mas olha, sabes uma coisa Lurdes, eu também gostava de te ver casada antes de partir para o outro mundo; e que merecesses o «branco» e que fosses a noiva mais linda que entrou na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré - Mas tia, eu ainda não namoro!. - Deixa lá filha: - Esteja a maçã na macieira, e ela não apodreça, lá virá quem a mereça… Tu és a minha flor de estufa, também não andas lá ninguém te vê! - Pois é madrinha e quem não aparece esquece, isso é verdade! - Deixa lá Lurdes. Pode ser que agora no casamento haja alguém que não seja cego… Tu és bonita e boa rapariga e, só o sujeitares - te estar aqui fechada dias inteiros, não há dinheiro que pague… Mereces tudo de bom! Embora que tudo o que eu tenho seja para ti, mas também reconheço que a tua juventude, tem sido uma prisão aqui perto de uma velha! - Mas qual velha, qual quê!...Velhos são os trapos, a tia não tem tido muita saúde, mas é muito boa para mim, nem me dá muito trabalho faço isto também por amor que lhe tenho, desde criança foi sempre uma boa amiga. - Olha Lurdes, amor com amor se paga, tu tens sido muito boazinha e, o senhor vai-te recompensar. Tudo o que os meus pais e os meus tios me deixaram tu vai herdar, eu já tratei do testamento ; agora só desejo que tenhas sorte com o marido que Deus te destinar. Fim do 62º Episódio M. Francelina e José Balau. no-temp-dos-barretesblogpot.com

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Episódio Nº 61- Nazaré Velhos Lobos do Mar

Episódio N. 61 – Nazaré Velhos Lobos do Mar - O João é meu primo sabias? - Sabia, eu não sai de casa, mas sei muita coisa da nossa terra! - Bom mudemos agora de conversa. Eu vou falar com a ‘nha tia, e amanhã vens cá saber a minha resposta está bem Rosa! - Obrigada Lurdes. Eu espero que a tua tia diga que sim! - Vai descansada,alguma coisa se há - de arranjar! - Até amanhã se Deus quiser! - Rosa saiu de casa um pouco satisfeita ela esperava um sim da sua amiga. O Zé também se sentia feliz. As dificuldades estavam bem encaminhadas pela positiva - - Estás a ver Rosa… Queres apostar que esta ideia, que tu não estavas a achar graça nenhuma, vamos ajudar um casal a ser feliz! - Talvez Zé…Há coisas que marca o destino, e foste tu que te lembras-te da Lurdes! - Pois foi, e a tua tia p‘os vistos, não ficou nada aborrecida ca’ideia! Vais ver que a tia da Lurdes, até vai ficar contente de ser madrinha! -Os dias foram passando, a Rosa foi falar com o Armando para acertarem os dias da limpeza da farmácia e as condições do pagamento. - Bom dia senhor Armando aqui estou, para saber do meu trabalho na limpeza. - Olha Rosa: Estou contente de teres vindo e aceitares o serviço da limpeza. Vou dar-te uma resposta muito breve; até posso mandar o recado pelo Zé, vai tudo correr bem. Olha vai ver ali naquele papel que tem o horário, diz os dias e as horas que estamos de serviço. Se quiseres podes vir de manhã ou depois de fechar. Uma vez por semana quero o pó limpo das prateleiras, diariamente despejas o cesto dos papéis. A limpeza de minha casa é feita aos sábados. Sobes aí e acertas o serviço com ela. A minha mulher está deserta para te conhecer; faz o trabalho como ela gosta, e vais ver que que vão ficar amigas. - Assim aconteceu e tudo começou a correr bem. A tia da Lurdes ficou muito contente, de a Rosa se ter lembrado, de convidar a sobrinha para ser a madrinha do casamento. Fim do 61º episódio M. Francelina e José Balau. no-temp-dos-barretesblogpot.com

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Episódio Nº 60 - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio nº 60 – Nazaré. Velhos Lobos do Mar - (a Rosa tenta aproximar o João da rapariga) - Á João, se quiseres a gente pode falar com ela… ou então resolves tu, o que dizes a esta ideia? - Olha primo, eu na’tanhe lata p’ra isse! - Está bem, não te quero obrigar… mas tu sempre estás disposto, de acompanhar a Rosa como padrinho? - Já que tante insistes, eu vou… mas a madrinha, tratem vocês de convidar, ouviram! - Obrigada João. Nós vamos falar com a Lurdes; não te importas que seja ela pois não !? - Não Zé, a gente conhece bem a piquena, é séria e bem educada. - Olha João, eu fico-te muito agradecido, por esta tua decisão, nunca vou esquecer este favor que nos estás a fazer! - e lá saíram de casa. Rosa e o Zé estavam muito contentes. Entretanto combinaram pelo caminho fazer uma visita, à casa onde a Lurdes estava a tratar da sua tia. Ao findar do dia, a Rosa batia numa porta larga, e com uma grade de ferro no centro; mostrava assim uma entrada de alguém, que vivia sem dificuldades. Os jovens sentiram algum acanhamento em bater, mas... Boa tarde Lurdes, desculpa de virmos incomodar a esta hora, mas precisava-mos de falar contigo. - Entrem, entrem. Estou um pouco surpreendida com a vossa visita! - Olha Lurdes, na’sei se já tens conhecimento que estamos a pensar em casar brevemente, e como não queremos te roubar muito tempo, vou já direito ao assunto…tenho tido dificuldade em escolher uma madrinha, depois de tanto pensar, foste tu a escolhida; a gente já se conhece há tanto tempo e fomos sempre boas companheiras e amigas… o mê’ namorado já tem padrinhos, e agora a demora é minha… é verdade, já tenho padrinho e gostava muito que fosses tu a minha madrinha. - Eu estou surpreendida, não esperava agora um convite desta natureza … como sabes, eu estou a tratar da minha tia, agora não sei assim de repente receber uma novidade destas…como deves compreender tenho que falar primeiro com a minha tia! - Está bem. Mas ouve cá, na’ queres saber quem é o meu padrinho? - Atão pois quero… olha que nem me lembrava de fazer essa pergunta! - Tu deves conhecer, é o João o filho do ti’Tonho; o tê’ pai anda na mesma empresa que ele anda! - O João… olha não podias escolher melhor! - Queres tu dizer que fiz boa escolha! - Claro que sim…parece-me bom rapaz para te acompanhar. - O João é meu primo sabias Lurdes? - Sabia, eu não sai de casa, mas sei muita coisa da nossa terra! Fim do 60º Episódio M. Francelina e José Balau. no-temp-dos-barretesblogpot.com

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Episódio Nº 59 º Nazaré. Velhos Lobos do Mar.

Episódio Nº 59 - (Rosa interveio) Desculpa à João, se calhar na’sabes… Eu sei de uma rapariga que fala muito de ti, e na’tá muito longe da tu’ rua… Sabes ‘ma coisa, as conversas que temes umas com as outras, às vezes descobrem-se muitos segredos encobertos! Se tu quiseres, até te posso dizer quem é! - Essa agora Rosa… Estou a ficar surpreendido com essa notícia! Eu que falo pouco com raparigas, não sei de nada até me parece que me queres arranjar uma namorada… À mãe, você sabe alguma coisa? - Eu não filhe… Ouve cá Rosa t’ans a certeza do que ´tás a dizer! - Ti’Maria, assim eu tivesse a certeza d’outras coisas, como isto é verdade! - À Rosa desculpa lá, eu já ‘tou curiosa em saber quem é a rapariga… Olha, na’vás daqui sem dizeres quem é a moça! - À primo, olha que eu não sei nada desta novidade! - Não te preocupes, isto é coisa de mulheres… Diz lá Rosa, quem é a rapariga! - A piquena até chegou a andar comigo aprender a costurar, agora ela ‘tá em casa de uma tia, a cuidar dela porque está muito doente, mas ela é rica… Segundo se consta, a sobrinha vai ser única herdeira! - Mas ouve cá Rosa, quem é a apaixonada do meu filho?!... Eu como mãe também gostava de saber - È assim: O Ti’Jôquim que anda na mesma empresa que o João anda, tem uma filha, ela chama-se Lurdes, vocês devem conhecê-la com certeza! - Espera aí, a Lurdes É uma moça de cabelo louro? - È essa mesmo João! - Essa agora…Ela mal sai à rua é raro se ver! - À João, é raro se ver, porque há coisa de seis meses, ‘tá a tratar da tia… Parece que a mulher agora está a sentir-se melhor; noutro dia eu falei com a rapariga, onde me explicou o estado de saúde da sua tia. Eu sempre me dei bem com a moça e ela desabafou comigo! - Olha Rosa, eu também me dou bem com o Tio’Jôquim, mas nunca falei com a filha dele! -‘Tás a ver Zé… Se a Rosa na´descobre agora este segredo, a gente nunca sabia de nada… Olha obrigadinho por esta novidade à Rosa! - ( A Rosa tenta aproximar o João da rapariga) À João, se quiseres a gente pode falar com ela… Ou então resolves tu, o que dizes? Fim do 59º Episódio M. Francelina e José Balau. No-temp-dos-barretesblogpot.com

sábado, 9 de dezembro de 2017

Episódio Nº 58 - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 58 Como é que ele não tinha reparado nisto, tinha sido tão estúpido e cego… Sim, porque o maior cego é aquele que tem vista e não quer ver. Agora daqui para a frente, vocês vão ver quem é o Virgolino. (Alguns dias depois chegou o Domingo. O Zé e a sua namorada, ainda um pouco envergonhada lá foram falar com o João, com a esperança que o convite que lhe iam fazer, ele aceitasse. Dirigiam-se para casa dele antes do almoço. Maria abriu a porta, ficando um pouco admirada com a presença dos dois jovens) - Bom dia Maria. - Bom dia Rosa e companhia. Há alguma novidade? - Olha, vinha falar com o meu primo João, ele ‘tá em casa? - Por acaso ´tá, chegou mesmo agora do mar. Queriam falar com ele?! - Se não incomodasse, queria dar-lhe uma palavrinha. - Sentem-se aqui nestes banquinhos, fiquem à vontade. - (Rosa intranquila) É a primeira vez que entrar em tua casa à Maria! - Alguma vez tinha que ser a primeira… Eu vou avisar o João. Olha, aí ‘tá ele. - Olha o primo João, bom dia rapaz. - Bom dia Zé. Há novidade? - Desculpa lá este incomodo. Eu e a Rosa, queríamos falar contigo, se tiveres um pouco de tempo para nos atender. - Diz lá Zé, fiquem à vontade! -À João é o seguinte, a gente temos a pensar em casar, lá para o início do mês de Março, mas aqui a Rosa, tem tido dificuldade em escolher os seus padrinhos… A gente depois de pensar, como nos demos sempre bem, vinha convidar-te para padrinho da Rosa, que dizes tu a isto João!? - À primo, ‘tou um bocado admirado com a vossa escolha… Se queres que te diga a verdade, eu nem sou pessoa dessas coisas de casamentos; mas nem é por causa de vocês, nem pensem mal de mim… Na´sou pessoa de festas percebes! Mas ouve cá Rosa, tu na’tens ninguém que te leve à Igreja? -O que o meu primo está a dizer é verdade, nunca gostou de balhes, batizados e de festas ,ele é mais amigo do sossego percebes! - Pois é assim. Mas ouve cá Rosa, já tens madrinha? - Madrinha também não tanhe. A gente pensamos se tu fosses ser o padrinho, podias tu escolher a madrinha, ficava assim a teu gosto! - Olha, isse p’ra mim ainda é mais complicado…Eu nem namoro com ninguém e dou-me com muito poucas raparigas! - (Rosa interveio) Desculpa à João, se calhar na’sabes… Eu sei de uma rapariga que fala muito de ti, e na’tá muito longe da tua rua… Sabes ‘ma coisa, as conversas que temes umas com as outras, descobrem-se muitos segredos encobertos! Se tu quiseres até te posso dizer quem é! Fim do 58º Episódio M. Francelina e José Balau. No-temp-dos-barretesblogpot.com