quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Episódio Nº 45 - Nazaré . Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 45

- Virgolino ficou admirado com a resposta da sua cunhada – Vocês na’lhe dêem crete, já disse que vou mudar a ‘nha vida é porque vou; e mais disse, na’vou parar enquante na começar a trabalhar. Eu já vanhe.
- À filhe arruma esta caneca na cozinha e compõe a roupa na cama queu ainda na’me posse mexer muito bem. Ai ai, a nha’vida Senhor, nunca mais me veje boa pa´na’precisar de ninguém!
-À mãe tem que ter paciência, são mais uns dias, você depois fica bôa vai ver.
- Espere bem que sim filhe, Deus te oiça c’ride filhe! Mas avisa o tê’pai : - A partir d’agora, nesta casa quem na’entregar d'enher na’come.
Diz-le também a ele o que o Sr. Guarda te disse a ti; é só um copinhe às refê’ções, e na taberna na’há mais entradas. Se quiser quer se n’a quiser que vá andande… Vá lá p’á famil´a dele queu na’ me rale nada!

- Virgolino já tinha saído, deu uma volta e voltou à taberna da senhora Chupeta; esta ficou muito admirada de o ver por ali, e perguntou-lhe:-
 O que fazes por aqui Virgolino?
- Olhe senhora Maria, ande a ver se arranje alguma coisa pa’trabalhar, o mar na’dá nada e a gente tem que comer tod’es dias.
- Pois é tens razão, isse é verdade. Quem não trabalhar não come. Olha, talvez eu te arranje alguma coisa para te entreteres… Tu queres ir apanhar uns pinhocos e pinhas ? Eu dou-te um saco e uma varola que tenho no quintal. Se me trouxeres um cento de pinhas e pinhocos eu dou-te: - Azeite, pão um bocadinho de feijão, arroz e mais alguma coisa que tu precises. Então que dizes à minha ideia?
- Olhe senhora Maria, e na’me dá ‘ma garrafinha de vinhe?! É queu agora só bebe às refê’ções. O senhor Guarda puribiu-me e a ‘nha Vergina, seu beber ta’mãe na’me dê'xa entrar em casa.
- Sim senhor muito bem. Olha,vai lá e vem, que na perdes nada com isso!


Fim do 45º Episódio. Nazaré. Velhos Lobos do Mar
M. Francelina e José Balau.
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

44º Episódio Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº44
 Ele prometeu à gente, que já não bebe e vai arranjar uma empresa pa’trabalhar.
- Agora vai trabalhar!… depois de ‘tar queimade da bebida, e vocês caíram nessa!
- À tia, a gente já falamos com o meu pai, e até a Guarda lhe deu também alguns conselhos para o bem dele; se não se portar bem o pior é dele.
Olhe tia, a gente não o podemos abandonar, depois de eu arranjar um emprego, não quero que o meu pai ande por aí aos caídos!
- Virgolino estava observando o diálogo-
- À cunhada, queria - lhe pedir perdão do mal que fiz à sua irmã… eu perdi a cabeça naquele dia e agora queria voltar a trabalhar e levar uma vida séria, pa’ na’ na’falarem mal de mim… se na’conseguir trabalho em nenhuma empresa, olhe, nem que fosse tomar conta de alguma em terra.
- Queres tu dezer com isse Virgueline… já queres ser velhe de terra… Tu  não és nenhum velhe , podes muite bem trabalhar como os outros homens da tua idade!
- Virgueline  na’me vanhas já com novas ide’as, já chega de tantos anos a trabalhar pa’te sustentar… ‘tou cansadinha!
- A mãe tem muita razão pai… você pode ainda andar ao mar, assim você o queira!
- ‘Tás ó’vir o tê homem Vergina… É o queu te digue, na’te dou três dias quel na’ta’pareça em casa ó’tra vez bêbade… olhem façem vocês o que quiserem, eu na’tanhe que me meter na vossa vida! Até logue queu tanhe mais que fazer.
- Virgolino ficou admirado com a resposta da sua cunhada – Vocês na’lhe deem crete, já disse que vou mudar a nha vida é porque vou; e mais disse, na’vou parar enquante na começar a trabalhar. Eu já vanhe.

Fim do 44º Episódio     
M. Francelina e J. Balau.
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terça-feira, 4 de julho de 2017

Episódio Nº 43 -Nazaré. velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 43

- Entretanto abria-se para o Virgolino entrar -
- Vá lá entre lá pai… Mas vai já pedir perdão da maldade que fez à mãe!
- Virgolino finalmente entrou em casa, com a cabeça baixa foi pedir perdão à sua esposa.
- À Vergina, o tê’filhe disse-me qu’eu te dê’perrada mas pa’nha rica saúde, na’me lembre de nada, eu seja ceguinhe dos olhes!
- Àh! Na’te lembras !... Então, olha aqui o mê corpe tode negre… E ainda na’sei, se tanhe olguma q’uestela partida!... À homem  tu só parecias um cavale  ós coices naquele dia!
A nha irmã, vai-me fazer ‘ma guerra de eu t’agarrar, sabes muite  bem ca’casa tabém é dela… Mas eu te digue, foi a primêra vez e a última; tu nunca mais me chincas c’um dede. Dé’tes cabe de mim, na’sei se olguma vez som capaz d’agarrar olgum carregues! Se quiseres ficar em casa t’ans arranjar trabalhe, queu nunca mais te sustente. O tê filhe vai trabalhar pá’farmácia do Sr. Armandinhe, e eu quere aqui muite respeite e vergonha.
Eu na’quere  co’mê filhe passe por situações vergonhosas!
- Virgolino ouviu tudo de cabeça baixa, sentia-se envergonhado -
- Depois disse – Olha Vergina, se tu me perdoas o mal queu te fiz, eu fique.
Eu vou ver se alguma empresa me dá lugar, mas na’ é fácil!
- Ah!... isse já na’sê, mas as condições são estas. (entretanto entra em casa a Maria)
- Bom dia Vergina, olha trago-te aqui o cafézinhe  com felhozes  pa’veres  s’arribas melher.
( Maria não tinha reparado  no Virgolino que estava em casa)
Ah! Qué que tás aqui a fazer Virgoline? À Vergina, desculpa queu te diga mas tu na’tans vergonha nenhuma… Tu ‘tás a meter este matador aqui  outra vez, por sinal esta casa tabém me pertence!
- À Maria, tem calma melher… a gente ‘tá com pena deste sem vergonha… Ele prometeu à gente, que já não bebe e vai arranjar uma empresa  pa’trabalhar.
- Agora vai trabalhar!… depois de ‘tar queimade da bebida, e vocês caíram nessa!


Fim do 43º Episódio
M. Francelina e J.Balau
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Episódio Nº 42 -Nazaré. Velhos Lobos do Mar

Episódio  Nº 42 – Nazaré. Velhos Lobos do Mar

É verdade como vão essas dores do corpo mãe?
- ‘Tou um bocadinho melhor. Ouve cá, ‘inda na’me  d’esseste nada desse homem… ele ainda ‘tá prese filhe?
- Eu já falei com o chefe da Guarda e pedi-lhe que lhe desse umas palavras para que no futuro  não voltasse acontecer casos semelhantes.
Eu também falei com ele e vi que  estava arrependido… À mãe o pai não se lembra do que lhe fez. Vamos a ver agora, o que vai acontecer daqui em diante… Eu estou esperançado que ele vai emendar-se!... Até me jurou que ia pedir a alguém para  se matricular numa empresa.
- À filhe, mas tu acr’aditas nisse… o vinhe dá cabe dele! Agora digo-te, s’ele deixasse o vinhe,  isse  sim  acreditava… Mas tanhe quase a certeza que na’ vai conseguir!
- À mãe, a gente temos que o ajudar; se eu for trabalhar para a farmácia, era um grande desgosto para mim, ver o meu pai por aí a ser criticado nas bocas do mundo!
- Entretanto no Posto da Guarda o Virgolino saía livre, um pouco envergonhado dirigia-se a sua casa -
Pouco depois o Virgolino estava a bater à porta dizendo:
 Zé, à filhe abre a porta ao pai fazes favor!
- Olhe mãe aí está ele!
- Olha filhe, vai abrir à tua responsabilidade, cá por mim enquante me lembrar da perrada qu’ele me deu e das ofensas que me fez, na’lhe prantava a vista em cima… Prontes, abre lá a porta mas ele tem que me óvir.
- Entretanto a porta abria-se para o Virgolino entrar -
- Vá lá entre lá pai… Mas vai já pedir perdão da maldade que fez à mãe!


Fim do Episódio Nº 42
M. Francelina e J. Balau
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segunda-feira, 5 de junho de 2017

Episódio Nº 41Nazaré . Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 41
- Pronto está bem. Olha, eu vou dar-te vinte mirreis por ela, vê lá se concordas!
- Só isso… É poucochinho eu também não sei o seu valor, mas vou perguntar ali ó senhor da loja para me dar uma ideia!
-O Zé depois de ouvir o comerciante trazia já uma ideia-
-
Olhe ti’Maria, veja lá se pode dar mais olguma coisinha!
- Não rapaz, acho que já ultrapassei o devido valor; se queres vender tu é que sabes!
- Do outro lado da rua, o comerciante senhor David, fez sinal com a cabeça para o rapaz vender-
- O Zé disse para a mulher:
- Prontes ‘tá bem dê-me lá o dinheiro.
- O Zé entrou em casa muito contente e dirigiu-se ao quarto de sua mãe.
- Mãe, olhe aqui, ò tempo que eu não via uma nota destas na minha mão!
- Que é isse filhe, onde achaste essa nota?
- Caiu do céu mãe… Este dinheiro vem mesmo a calhar, mas eu vou contar a verdade à mãe, se não se chatear comigo, porque você sabe se eu for trabalhar para a Farmácia, não posso ir vestido de qualquer maneira!
_Tab’em filhe, eu sei disse, mas gostava de saber onde arranjaste essa nota…
‘Tás - me a deixar curiosa; diz lá a verdade anda!
- Foi assim uma ideia de repente mãe… vendi a bicicleta velha que estava no quintal; eu também já não a utilizava por ser pequena… diga lá a sua opinião! Estou mesmo a ver que não concorda!
- À filhe, concorde sim, ‘tou admirada é das coisas que tu sabes fazer com a cabeça no lugar… não sais nada ó tê’pai não!
- Pois não, sou filho dum paleco…Estou a brincar consigo mãe!
É verdade como vão essas dores do corpo?
- Tou um bocadinho melhor. Ouve cá, ‘inda na’me desseste nada desse homem… ele ainda ‘tá prese filhe?

Fim do 41º episódio
M. Francelina e José Balau

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sexta-feira, 2 de junho de 2017

40º Episódio. Nazaré Velhos Lobos do Mar

Episódio Nº 40

À, uma coisa pai, eu vou pedir ao senhor Guarda que o solte ainda hoje, porte-se bem…Até logo.
- Obrigado filhe, eu na’merece tante… tu és um santo!
- O Zé um pouco comovido, saiu em direção ao gabinete do chefe da Guarda Republicana, para lhe fazer o pedido que tinha prometido ao seu pai.
E assim aconteceu.
Pouco depois, o jovem saiu mais confiante, agora tinha que preparar a sua mãe para o receber o seu pai. Era importante que a paz regressasse à sua família, porque o seu futuro também estava em causa. Quase a chegar a casa, um pouco mais adiante, seguia pela mesma rua uma mulher com vários objetos nos braços, onde ela apregoava em voz alta: - Há por aí trapos velhos, ferro velho que queiram vender, ferro velho trapo velho.
- O Zé de momento lembrou-se de algo que tinha em casa há muito tempo -
Espera lá… estou a lembrar-me duma coisa que não uso e posso vendê-la… Vou perguntar à mulher se quer comprar… Oiça cá tiazinha vossemecê  tabem compra bicicletas velhas?
- Pois compro sim senhora. Onde tens isso?
- Olhe, eu moro ali mais acima naquela casa branca e amarela, tenho-a no quintal, vou busca-la.
- Então vai lá buscar, eu vou andando para lá, não te demores!
- O Zé entrou em casa apressado, percorreu o corredor que dava acesso ao quintal. A sua mãe, sentiu alguém entrar e perguntou… Quem ‘taí?
- Sou eu mãe, vou aqui ao quintal buscar uma coisa, eu vou já falar consigo. Olhe, já fui falar com o pai, está tudo a correr bem!
- O Zé pouco depois estava a negociar com a mulher o valor da bicicleta-
- Então quanto vale o objecto… olhe que ainda não está assim tão velha!...
A minha madrinha não vai gostar muito que a venda, foi ela que me ofereceu já alguns anos; também já é pequena para mim!
- Ouve cá rapaz, tens a certeza que queres vender esta recordação… Eu não quero problemas com a tua família!
- Não se preocupe, pode estar descansada, quem se podia ralar mais era a minha madrinha, mas ela está em Matozinhos; o homem dela, anda numa traineira da pesca da sardinha.
- Pronto está bem. Olha, vou dar-te vinte mirreis por ela, vê lá se concordas!

Fim da Episódio
M. Francelina e J. Balau

quinta-feira, 11 de maio de 2017

39 º Episódio - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

39º Episódio - Nazaré. Velhos Lobos do Mar

- A autoridade faz um aviso ao Virgolino -
- Olhe amigo, há agora uma  nova lei, quem faltar ao respeito seja a quem for por causa do vinho, fica proibido de entrar nas tabernas; veja bem a sua vida!
- Ó senhor guarda, esta pessoa que ‘tá’qui nunca mais bebe um copo de vinhe; só se for à refeição… eu premete!
- Então pense bem no que está a dizer, eu sou testemunha da sua promessa… nem sabe em que se mete se não cumprir… O seu filho está aí muito zangado consigo.
- À ‘tá!... ai o mê rique filhe!!
- O guarda saiu e mandou o Zé entrar, pondo-o ao corrente do que se tinha passado.
Quando o Zé entrou o pai chorava arrependido do que tinha feito –
- À mê pai, então agora chora!.. Cá por mim está perdoado, mas a mãe está muito mal tratada, ela ainda não se pode mexer com muitas dores!
- À c’ride filhe na´me fales nisse, iste aconteceu porque eu na’tava bem da’nha cabeçinha!
- Pois, foi o vinho, você não ganha juízo… Olhe, eu não sei se a tia e a mãe o deixa entrar em casa! O vinho faz perder a vergonha e o juízo!
- À filhe o senhor guarda já falou comigue, ele avisou-me bem pa’na’beber demasiade.
- Olhe pai: - Eu vou - lhe dar uma novidade: - se calhar vou trabalhar na farmácia de senhor Armando, e você agora tem que fazer boa figura, para não me deixar mal colocado. Eu não gostava nada de ouvir dizer por aí que sou filho de um bêbado; ouviu bem pai!
-  À filhe, eu premete que daqui em diante, vou ser outre homem… e uma coisa, q’ande sair daqui vás ver o pai, mudar dos pés à cabeça… E ainda mais, vou arranjar ‘ma’empresa pa’trabalhar, e das boas!
- Está bem, não prometa muito para não chamar-me depois mentiroso… Vossemecê tem que pedir desculpa à mãe… e a todas as pessoas que ofendeu, senão ninguém o vai desculpar, ouviu!... Agora vou - me embora tenho muito que fazer… À… uma coisa, eu vou pedir ao senhor Guarda que o solte ainda hoje!. Até logo.

Fim do 39º Episódio
M. Francelina e José Balau

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